quinta-feira, 4 de junho de 2015

Mundo de Estereótipos

Vivemos, no momento, num mundo de estereótipos, de extremos e de extremistas: direita, esquerda; racista, anti-racista; homofóbico, LGBT; capitalista, socialista; conservador, liberal; antiquado, moderno; acomodado, ativista; preconceituoso, defensor dos direitos humanos; defensor da família e dos “bons costumes”, avesso a tradições; machista, feminista.

Mas somos muito mais do que isso.
Não somos estereótipos.
Entre um extremo e outro, há o bom senso.

Se alguém me disser, “Você é um conservador?” ou “de direita?”, “de esquerda?”, “um coxinha?”, “moderno?”, “pós moderno?”, eu diria: “Defina isso que você está me perguntando. Aí eu posso lhe responder”.

Por exemplo, se alguém me disser que matar um ser humano é moderno, então eu não sou mesmo, pois matar nunca será moderno. Por isso, o aborto e a pena de morte nunca serão modernos, nem o resultado de um avanço da sociedade, mas o de sua degradação.

Porém, se me perguntarem se sou a favor do casamento gay, eu diria “Por que não?”. Que mal podem fazer duas pessoas que se amam? Aliás, há muito desamor em uniões hétero, casamentos por interesse ou baseados só na beleza física. Então o problema da família não está em se o casal é hétero ou gay, mas se há amor ou não dentro de quatro paredes.

Vejo atualmente, por exemplo, muito preconceito contra mulheres que resolvem ser donas de casa, mães em tempo integral, por opção. Se, no passado, esse era o estereótipo de uma mulher exemplar, hoje é motivo de deboche. São dondocas ou submissas, dizem. Mais estereótipos... Por que não damos a elas a opção de serem o que querem ser? De buscarem seu sonho? Conheço grandes mulheres que foram donas de casa e não se enquadram nem um pouco nesses estereótipos.

Então, é necessário abrirmos nossa cabeça. De tanto querermos ser originais em nosso modo de pensar, acabamos sendo tão preconceituosos contra as pessoas que pensam de modo diverso do nosso, que nos tornamos tão preconceituosos como aqueles a quem temos pelo estereótipo de “preconceituosos”.

É como diz aquela música do Capital Inicial (e que peço permissão para fazer um acréscimo): “Todo mundo que quer ser diferente acaba sendo igual a todo mundo” [que quer ser diferente].

Sabe mesmo o que é ser moderno? Sabe mesmo o que é novo, velho, e que nunca sai e moda? É ser gentil, educado, mesmo não encontrando o mesmo nos outros. É ser contra a injustiça, sem ser injusto. É lutar contra a violência e não ser violento. É lutar contra o preconceito, sem ser preconceituoso; contra a intolerância, sem ser intolerante.

É ser você mesmo. É pensar diferente e não ter medo do estereótipo. É pensar igual a muita gente e também não ter medo de mostrar o que pensa, pois, afinal, a originalidade está, na verdade, no que se faz... e não no que se prega.


Autor: Alexandre Paredes.