sábado, 1 de agosto de 2015

Ética Hoje

            Em pleno século vinte e um, o ser humano, a despeito de toda a evolução tecnológica e científica dos últimos tempos, ainda vive mergulhado em grandes dificuldades. Se, no passado, os maiores obstáculos a serem vencidos eram as forças da natureza, hoje, no entanto, a própria natureza humana é que oferece os maiores desafios para as gerações futuras.
            
            A medicina, por exemplo, nunca avançou tanto como nas últimas décadas, mas, na mesma proporção, cresce o número dos deprimidos, dos doentes da alma, dos desesperados, filhos do abandono, do desprezo e da corrupção. Os progressos tecnológicos permitiram a conquista espacial, a clonagem, a Internet, o celular e seus sucessores, entretanto, multiplicam-se, a cada dia, as formas de extermínio e de destruição da espécie humana, com refinamentos de tortura e crueldade, assim como crescem a fome e a exclusão social.
      
            Vivemos numa sociedade centralizada no valor econômico, onde a qualidade de vida das pessoas é mensurada pela quantidade de bens que possuem ou pelo valor dos proventos mensais, ainda que, na intimidade do dia-a-dia, estejam à beira dos abismos do vício, da loucura ou da violência.

Nesse paradigma, a felicidade, procurada por todas as gerações, é confundida, muitas vezes, com um bem de consumo, sendo os valores morais, que dão a base de sustentação ao homem diante dos reveses da vida, esquecidos ou menosprezados.

            Deparando-se o indivíduo com as dificuldades impostas por uma sociedade injusta, vendo-se falido em função dos atos antiéticos de outrem e não tendo uma base moral sólida, acha ele muito natural agir da mesma forma perante o mundo que o rodeia, a fim de obter para si o modelo de felicidade que lhe foi apresentado, mesmo que para tal seja necessário menoscabar os interesses alheios.

É preciso discernimento para perceber que o ser humano ainda é e sempre será o que há de mais importante. De que valeria a excelência dos resultados das empresas, dos países, da economia mundial, avaliados através de cifras numéricas, se estes não redundarem em benefícios às pessoas comuns?

Diante desse ponto de vista, o senso de ética não é apenas uma questão importante no contexto de nossa sociedade, mas imprescindível. Sem comportamento ético, nenhuma instituição social ou política, nenhum sistema econômico ou de governo poderá obter êxito em seus objetivos, visto que todo empreendimento de interesse geral sucumbe diante da desonestidade, corrupção, inveja ou ganância daqueles que formam a coletividade.


O resgate da ética em nossa civilização, contudo, não é tarefa simples, tendo em conta que ela não se impõe, nem pela violência, nem por meio de punições, e nem se constrói a partir de decretos, leis ou medidas paliativas, mas se conquista a partir da conscientização individual e coletiva, que somente a educação baseada no exemplo e na vivência pode gerar.

Autor: Alexandre Paredes.


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