Em pleno século vinte e um, o ser
humano, a despeito de toda a evolução tecnológica e científica dos últimos
tempos, ainda vive mergulhado em grandes dificuldades. Se, no passado, os
maiores obstáculos a serem vencidos eram as forças da natureza, hoje, no
entanto, a própria natureza humana é que oferece os maiores desafios para as
gerações futuras.
A
medicina, por exemplo, nunca avançou tanto como nas últimas décadas, mas, na
mesma proporção, cresce o número dos deprimidos, dos doentes da alma, dos
desesperados, filhos do abandono, do desprezo e da corrupção. Os progressos
tecnológicos permitiram a conquista espacial, a clonagem, a Internet, o celular
e seus sucessores, entretanto, multiplicam-se, a cada dia, as formas de
extermínio e de destruição da espécie humana, com refinamentos de tortura e
crueldade, assim como crescem a fome e a exclusão social.
Vivemos numa sociedade centralizada no valor econômico, onde a qualidade de vida das pessoas é mensurada pela quantidade de bens que possuem ou pelo valor dos proventos mensais, ainda que, na intimidade do dia-a-dia, estejam à beira dos abismos do vício, da loucura ou da violência.
Nesse
paradigma, a felicidade, procurada por todas as gerações, é confundida, muitas
vezes, com um bem de consumo, sendo os valores morais, que dão a base de
sustentação ao homem diante dos reveses da vida, esquecidos ou menosprezados.
Deparando-se
o indivíduo com as dificuldades impostas por uma sociedade injusta, vendo-se
falido em função dos atos antiéticos de outrem e não tendo uma base moral
sólida, acha ele muito natural agir da mesma forma perante o mundo que o
rodeia, a fim de obter para si o modelo de felicidade que lhe foi apresentado,
mesmo que para tal seja necessário menoscabar os interesses alheios.
É preciso
discernimento para perceber que o ser humano ainda é e sempre será o que há de
mais importante. De que valeria a excelência dos resultados das empresas, dos
países, da economia mundial, avaliados através de cifras numéricas, se estes
não redundarem em benefícios às pessoas comuns?
Diante desse
ponto de vista, o senso de ética não é apenas uma questão importante no
contexto de nossa sociedade, mas imprescindível. Sem comportamento ético,
nenhuma instituição social ou política, nenhum sistema econômico ou de governo
poderá obter êxito em seus objetivos, visto que todo empreendimento de
interesse geral sucumbe diante da desonestidade, corrupção, inveja ou ganância
daqueles que formam a coletividade.
O resgate da
ética em nossa civilização, contudo, não é tarefa simples, tendo em conta que ela
não se impõe, nem pela violência, nem por meio de punições, e nem se constrói a
partir de decretos, leis ou medidas paliativas, mas se conquista a partir da
conscientização individual e coletiva, que somente a educação baseada no
exemplo e na vivência pode gerar.
Autor: Alexandre Paredes.

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