A educação de um país deve se esforçar por ensinar a tolerância de
todo tipo: de gênero, religião, orientação sexual, ideologia, de etnia. Para
isto, é necessário evitar políticas que tomem partido de qualquer um dos lados.
Só assim se pode viver com menos conflitos em um mundo cada vez mais plural.
Por exemplo, o Estado deve ser
laico, ou seja, não apóia nem deixa de apoiar esta ou aquela religião, tampouco
deve patrocinar o ateísmo; deve, sim, fomentar a tolerância e o respeito para
com todas as religiões, crenças e até para com a falta de crença das pessoas.
Creio que ninguém gostaria que seu filho estivesse matriculado numa escola
pública que pregasse esta ou aquela religião como a única certa ou que
ensinasse que a crença em Deus é uma bobagem.
Pois bem, a mesma lógica
aplica-se a ideologias de qualquer natureza, a não ser que se ensinem os
sistemas de ideias que permanecem relevantes e se ensine ao aluno a pensar por
si só, o que seria o desejável. Do contrário, a educação se torna uma
violência. Vejamos o exemplo desastroso da Alemanha Nazista, que ensinava às
crianças e jovens daquela época uma ideologia de ódio, arrogância e
intolerância...
Trazendo essas reflexões para
o momento histórico em que nos situamos, não se justificaria, por exemplo, uma
educação pública institucionalizada ensinar que ninguém nasce homem ou mulher,
exceto se isto fosse um consenso na comunidade científica. O mesmo raciocínio
aplica-se àqueles que querem impor seu pensamento no sentido oposto, ou seja,
afirmando que não são normais as pessoas que têm orientação sexual diferente da
de sua configuração física, masculina ou feminina.
É claro que os educadores são
seres humanos, e não robôs que apenas transmitam conceitos e informações aos
alunos, mas o problema está, e é grave, quando as ideologias são transmitidas
de forma institucionalizada, patrocinada pelo Estado, como se fossem verdades,
mas que não são outra coisa senão formas de pensar sobre alguns aspectos da
vida e do mundo, ideologias, ou seja, sistemas de ideias, que são contrapostos ou
refutados por outros sistemas de ideias.
A verdade de tudo isso é que,
em nosso mundo, poucos estão preparados para pensarem por si mesmos, sem se
basearem em ideologias prontas e já postas, e que, de modo geral, ocupamo-nos
somente em tentar persuadir o outro sobre a nossa forma de pensar, quando não
queremos impô-la.
Ainda não preparamos nossos filhos para lidar com o diferente,
para respeitar sinceramente outras formas de pensar, porque nós mesmos não
estamos preparados para isto. Não nos acostumamos a ouvir e refletir sobre
outros pontos de vista; não cogitamos sequer que nossas verdades, tão bem
fundamentadas, possam não ser tão verdadeiras assim.
Autor: Alexandre Paredes

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