sábado, 18 de novembro de 2017

Educação e Tolerância

A educação de um país deve se esforçar por ensinar a tolerância de todo tipo: de gênero, religião, orientação sexual, ideologia, de etnia. Para isto, é necessário evitar políticas que tomem partido de qualquer um dos lados. Só assim se pode viver com menos conflitos em um mundo cada vez mais plural.
Por exemplo, o Estado deve ser laico, ou seja, não apóia nem deixa de apoiar esta ou aquela religião, tampouco deve patrocinar o ateísmo; deve, sim, fomentar a tolerância e o respeito para com todas as religiões, crenças e até para com a falta de crença das pessoas. Creio que ninguém gostaria que seu filho estivesse matriculado numa escola pública que pregasse esta ou aquela religião como a única certa ou que ensinasse que a crença em Deus é uma bobagem.
Pois bem, a mesma lógica aplica-se a ideologias de qualquer natureza, a não ser que se ensinem os sistemas de ideias que permanecem relevantes e se ensine ao aluno a pensar por si só, o que seria o desejável. Do contrário, a educação se torna uma violência. Vejamos o exemplo desastroso da Alemanha Nazista, que ensinava às crianças e jovens daquela época uma ideologia de ódio, arrogância e intolerância...
Trazendo essas reflexões para o momento histórico em que nos situamos, não se justificaria, por exemplo, uma educação pública institucionalizada ensinar que ninguém nasce homem ou mulher, exceto se isto fosse um consenso na comunidade científica. O mesmo raciocínio aplica-se àqueles que querem impor seu pensamento no sentido oposto, ou seja, afirmando que não são normais as pessoas que têm orientação sexual diferente da de sua configuração física, masculina ou feminina.
É claro que os educadores são seres humanos, e não robôs que apenas transmitam conceitos e informações aos alunos, mas o problema está, e é grave, quando as ideologias são transmitidas de forma institucionalizada, patrocinada pelo Estado, como se fossem verdades, mas que não são outra coisa senão formas de pensar sobre alguns aspectos da vida e do mundo, ideologias, ou seja, sistemas de ideias, que são contrapostos ou refutados por outros sistemas de ideias.
A verdade de tudo isso é que, em nosso mundo, poucos estão preparados para pensarem por si mesmos, sem se basearem em ideologias prontas e já postas, e que, de modo geral, ocupamo-nos somente em tentar persuadir o outro sobre a nossa forma de pensar, quando não queremos impô-la.
Ainda não preparamos nossos filhos para lidar com o diferente, para respeitar sinceramente outras formas de pensar, porque nós mesmos não estamos preparados para isto. Não nos acostumamos a ouvir e refletir sobre outros pontos de vista; não cogitamos sequer que nossas verdades, tão bem fundamentadas, possam não ser tão verdadeiras assim.
Autor: Alexandre Paredes

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