quarta-feira, 27 de maio de 2020

A História Dirá

Publicado no Facebook em 03/05/2020
Autor: Alexandre Paredes












Há 2 mil anos, o povo, ensandecido, gritava para que soltassem Barrabás, enquanto o justo por excelência, se dirigia para a cruz.


Hoje, não é muito diferente: defende-se, cegamente, o senhor das armas e ofendem-se os profissionais de saúde, os verdadeiro heróis da linha de frente, que, num protesto silencioso, segurando cruzes nas mãos, reivindicavam melhores condições de trabalho e uma melhor atenção ao problema da COVID-19.


Há 2 mil anos, os fariseus, com sua malícia, tentaram colocar Jesus numa armadilha, perguntando se era lícito ou não pagar o imposto a César, e o mestre, numa resposta de profunda sabedoria e vigor, responde "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus".


E o que ainda vemos hoje é um político e seus seguidores insistirem em misturar as coisas santas de Deus ao terreno dos interesses mesquinhos da vida política, e com a malícia dos fariseus, usam de uma pseudo-religiosidade e de um Cristianismo sem Cristo para levar adiante projetos que nada têm a ver com Jesus: o discurso de ódio, para com a imprensa, para com os demais poderes, para com representantes de outros países, para com todos que pensam diferente; o desdém e a indiferença para com o sofrimento daqueles que passam pela doença da pandemia ou que perderam entes queridos para ela; o discurso que enaltece a tortura e o assassinato pelo Estado, a ditadura, a supressão das liberdades e da Democracia.


Há 2 mil anos, Jesus alertou que haveria falsos Cristos e falsos profetas, mas que nós os reconheceríamos pelos seus frutos.


Hoje, quais são os frutos que podemos esperar de alguém que participa de manifestos em que se invoca o AI-5, que faz aglomerações enquanto o mundo inteiro faz distanciamento social (por amor às demais pessoas e respeito aos profissionais de saúde)? Que frutos podemos esperar de alguém que insiste na tese da "gripezinha" enquanto o mundo padece uma das piores pandemias da História, omite o resultado de seu exame para a COVID-19, enquanto, ao seu lado, mais de 20 pessoas deram positivo para a doença, e insiste em pegar na mão das pessoas, tossir ao lado delas e fazer aglomerações todo domingo? A História dirá.

Manual de um Ditador em 10 Passos

Autor: Alexandre Paredes
Publicado no Facebook em 19/04/2020











1) Banalize o ódio. Separe o povo entre o "nós" e os outros. O ódio é ótimo para fortalecer um sentimento de coesão de grupo; afinal os inimigos, o mal, são os outros. Fica mais fácil de visualizar e de combater.


2) Espalhe a ideia de que quem não pensa como você ou que o ameaça é inimigo do País.


3) Combata a imprensa livre, pois a única versão dos fatos que interessa é aquela que lhe convém.


4) Combata os demais poderes, ou os desacredite; afinal, eles são uma concorrência.


5) Crie uma legião de fanáticos, pois, diante da paixão cega, argumentos racionais são inúteis.


6) Use o patriotismo como pretexto pra tudo, até para destruir a democracia, até para usar de tortura, censura e violência; pois os "interesses da nação" são mais importantes.


7) Dissemine a ideia de que você é um Messias, um Salvador da Pátria. Isto fortalece a fé cega de seus seguidores.


8) Dissemine a mentira por meio de informações falsas, dúbias ou omissas, para reforçar somente aquelas informações que lhe sejam convenientes.


9) Use uma boa retórica. Diga que quem quer implantar a ditadura são os outros, os inimigos do País: você é uma vítima de uma conspiração (daqueles que são inimigos do País). Isto é ótimo para fortalecer a ideia de que a ditadura que você implantar vai ser para impedir a ditadura dos outros. Afinal, o bem somos "nós" e o mal são os "outros".


10) Não deixe que ninguém brilhe mais que vc; afinal vc é o Messias, vc é o grande líder, e qualquer concorrência é inconveniente.