Há 2 mil anos, o povo, ensandecido, gritava para que soltassem Barrabás, enquanto o justo por excelência, se dirigia para a cruz.
Hoje, não é muito diferente: defende-se, cegamente, o senhor das armas e ofendem-se os profissionais de saúde, os verdadeiro heróis da linha de frente, que, num protesto silencioso, segurando cruzes nas mãos, reivindicavam melhores condições de trabalho e uma melhor atenção ao problema da COVID-19.
Há 2 mil anos, os fariseus, com sua malícia, tentaram colocar Jesus numa armadilha, perguntando se era lícito ou não pagar o imposto a César, e o mestre, numa resposta de profunda sabedoria e vigor, responde "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus".
E o que ainda vemos hoje é um político e seus seguidores insistirem em misturar as coisas santas de Deus ao terreno dos interesses mesquinhos da vida política, e com a malícia dos fariseus, usam de uma pseudo-religiosidade e de um Cristianismo sem Cristo para levar adiante projetos que nada têm a ver com Jesus: o discurso de ódio, para com a imprensa, para com os demais poderes, para com representantes de outros países, para com todos que pensam diferente; o desdém e a indiferença para com o sofrimento daqueles que passam pela doença da pandemia ou que perderam entes queridos para ela; o discurso que enaltece a tortura e o assassinato pelo Estado, a ditadura, a supressão das liberdades e da Democracia.
Há 2 mil anos, Jesus alertou que haveria falsos Cristos e falsos profetas, mas que nós os reconheceríamos pelos seus frutos.
Hoje, quais são os frutos que podemos esperar de alguém que participa de manifestos em que se invoca o AI-5, que faz aglomerações enquanto o mundo inteiro faz distanciamento social (por amor às demais pessoas e respeito aos profissionais de saúde)? Que frutos podemos esperar de alguém que insiste na tese da "gripezinha" enquanto o mundo padece uma das piores pandemias da História, omite o resultado de seu exame para a COVID-19, enquanto, ao seu lado, mais de 20 pessoas deram positivo para a doença, e insiste em pegar na mão das pessoas, tossir ao lado delas e fazer aglomerações todo domingo? A História dirá.

